sábado, 1 de abril de 2017

Ao se deparar com o vazio do nada

14 de abril de 2015.

Um dia em branco. Branco entre aspas. O sentido de falar que veio e nada, o branco, foi o que consegui expressar. Somente a marca do dia, a data. E o sentimento que esteve comigo. E tudo que estava comigo e não ganhou voz, a minha própria. Um cale-se. Calou-se. Si len cio sa men te. Não já esperando que isso acontecesse, mas o dia passou. E aqui somente um página em branco em memória do que poderia ser dito e simplesmente não foi. Assim como muitos textos incompletos. Que começam e terminam sem nem mesmo acabar de escrever uma palavra. E depois não se sabe. Não se sabe para onde ia aquela palavra, para onde nos levaria, para qual próxima palavra nos levaria. Há ali somente ela, incompleta. Incompl incomp incom inco inc in i .



O que traz a infinitude do que 
poderia ser escrito. 
E com essa mesma infinitude,
 abre um outro texto.
 O próximo.
 Talvez aquele mesmo já indo
 para um outro caminho. 
Talvez outro
 que nem estava ali antes,
 simplesmente despertou. 

O que faz ser incompleto,
 o que faz trazer um outro:
 o não sabemos,
 mas que
 simplesmente
 é. 

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Es cre ver

Não é só desabafar. Sentir uma dor no peito e então, tá lá, um texto, as palavras. Não, não é... não é sentir-se resolvido apenas assim.  Escrever é... um tanto mais. Falar simplesmente o que sinto é pouco. Não é sobre mim. Não é sobre essa multidão de sentimentos que em mim existem, mas é sobre aquele sentimento que existe em muitos. Aquele sentimento que existe em toda essa multidão. E existe na vida. A palavra pura: vida. Ele faz com que ela se chame, seja como é. Encontrá-lo assim, numa face clara, me vem essa agitação de escrever. (Silenciosa, ainda.) Me encontrar (e encontrar os outros) nos outros. Encontrá-los em mim numa junção que quando percebida, sim, faz um enorme sentido. E assim sentir saltando de mim algo que já estava comigo, mesmo que eu não soubesse.  Mas aquele momento. Aquela pequena percepção. Aquele pequeno pequenino despertar descobriu a escrita lá. E ainda me comove num enorme sentido de viver. (Sempre com ela, as palavras. As verdadeiras. Sempre com ele, o escrever. O às vezes que se torna sempre: perceber o raro desapercebido (que comece mais pelo per), mas tão presente.)

Queria eu que todos fossem escritores.