quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Expressar: ser o eu que é mulher - Parte I

Descobrir

De saber que sangro. De saber que é por dentro. De saber que sei, mas só afirmo pra mim quando ele se expande, se expressa e sai. Pula de mim. Num sobressalto. Já esperado. Escondido. Mas quando sangra. É verdade viva. É verdade que pulsa. E se afirma sem dizer mais nada. Clara. Um pingo. Dois. Enxergo. Depois da hora. Por que não antes? Por que tão depois? Por que deixar sangrar para perceber? Ignorância nas palavras, ignorar a mim mesma. Esperei. Esperei demais. Esse, o motivo. Esperar do que já era pra acabar. Um descontínuo continuado.
E saber que me deixei sangrar. Me permiti. Sem querer. 


Antes mesmo de acabar, 
dedico esse texto a todas às mulheres.
Não apenas pelo sofrer por amor,
mas por se doar demais.
Por se esquecer.

Mas nenhum ato assim
 é permanente.
Há a vida.
Há a força.

E, esses, os meus desejos.
Força a mim, a todas.
Sejamos quem somos.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Das arté-rias que fluem (flores)

Flor
indo
vou
indo
flor
e ser.

Pensamento 23 de 365

  "o essencial é invisível aos olhos"

Ficam surpresos com a idade. Mas já tão nova. Não se decide o que está por dentro. Simplesmente vive. Não se espera. Desperta. Não era uma questão de tempo, não só, mas de descoberta. E foi cedo. Foi ainda adolescente. Que descobriu um coração gigante. Que enxergou outros corações. E pra isso não tinha idade. Não tinha época certa. Não era preciso esperar ficar adulto. E ainda bem que não. Ainda bem que foi assim. Ainda bem, ainda bem que percebeu. 
Não se pode pedir pra esperar o que já está saltando de dentro. Não é pra depois. É pro presente. É presente. Presente do tempo. Um presente do agora.
E tudo aquilo não era cedo. Era simplesmente o se descobrir. E (sem hesitar) ser. Era simplesmente sentir o vivo, sentir o pulsar. E sentir o que ainda estava por vir. Escreveria sobre o que ainda iria acontecer: o coração desperto:

Es-crê-ver. 

Como a inspiração que vem na hora que ela decide vir. E se não atendo, vai embora. Se perde o que eu nem mesmo sabia que estava por vir. Se ganha voz, me cresce.

Que eu possa
que possamos
descobrir.